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Campo do Mogiana Ainda Sobrevive

Campo do Mogiana Ainda Sobrevive

Leandro Ferreira/AAN

O octogenário conjunto esportivo do estádio Doutor Horácio Antônio da Costa é patrimônio histórico de Campinas desde novembro de 2019


O estádio Doutor Horácio Antônio da Costa, localizado no bairro Botafogo, em Campinas, completou 80 anos de história na última terça-feira. O complexo, também conhecido como Cerecamp (Centro Educativo, Recreativo e Esportivo do Trabalhador de Campinas) e chamado popularmente de Campo do Mogiana, foi inaugurado oficialmente no dia 14 de julho de 1940, com a realização da partida entre o extinto Esporte Clube Mogiana, equipe tricolor que nasceu da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e mandou partidas no local dos anos 40 aos 60, e o Uberaba, de Minas Gerais. Na ocasião, o jogo terminou empatado por 1 a 1.
Ao longo de sua primeira década de existência, o estádio Horácio Antônio da Costa — nome dado em homenagem ao inspetor geral da companhia ferroviária — sediou os Jogos Abertos do Interior de 1945, realizados em Campinas, e também recebeu o primeiro duelo noturno da história do confronto entre Guarani e Ponte Preta, disputado em 28 de abril de 1948, que terminou com goleada bugrina por 5 a 2.
Naquela época, era o único estádio da cidade com torres de iluminação — o Moisés Lucarelli seria inaugurado em setembro de 1948 e o Brinco de Ouro somente em 1953. Ao todo, entre 1941 e 1950, o Campo do Mogiana recebeu 10 Dérbis, com cinco vitórias para cada lado. “O Guarani necessitou jogar no Mogiana como mandante porque reformava o seu antigo estádio, o Pastinho, enquanto a Ponte Preta também precisou utilizar o local pois não tinha ainda um campo próprio, jogando anteriormente no Hipódromo Campineiro. Na década de 40, até o Corinthians veio treinar no Horácio Costa visando à disputa dos torneios que disputava na época, dentre eles o Campeonato Paulista”, relata o historiador e escritor Celso Franco de Oliveira Filho, autor do livro Fora dos Trilhos: A História do EC Mogiana (2008).
Na época de sua inauguração, o estádio era considerado um dos mais modernos do Brasil, com campo de futebol, pista de atletismo, quadra poliesportiva e arquibancadas com tribuna de honra e cabine para imprensa. O recinto ficava atrás apenas do Pacaembu, em São Paulo — inaugurado três meses antes, em abril de 1940 — e São Januário, no Rio de Janeiro, que vinha desde 1927. “Com uma estrutura fantástica e alojamentos, o Campo do Mogiana era o estádio mais moderno do interior do Brasil. Pouca gente sabe, mas o Esporte Clube Mogiana telegrafou para a CBD, atual CBF, cedendo todas a instalações do clube, inclusive o estádio, para a Copa do Mundo de 1950, caso a entidade precisasse”, revela Celso.
No início dos anos 70, após a Fepasa encampar a ferrovia Mogiana e o clube de futebol homônimo chegar ao fim, o complexo esportivo passou a ser administrado pelo Governo do Estado de São Paulo. Na década de 80, serviu como casa do antigo Esporte Clube Gazeta, enquanto nos anos 2.000, acolheu o extinto Campinas Futebol Clube, time então fundado pelos ex-jogadores do Guarani, Careca e Edmar Bernardes.
De 2002 a 2009, o Campinas atuou como mandante no local pelas divisões inferiores do Campeonato Paulista. “Era um sonho transformar o Campo da Mogiana em uma pequena arena para que o Campinas fosse a segunda opção para os torcedores de Guarani e Ponte Preta. Infelizmente, não tivemos vida longa pela dificuldade em assumir de vez o estádio. Mesmo depois de ajustar muitas coisas lá, tivemos que deixar a estrutura, o que até hoje não consigo entender”, lamenta Careca. Após a venda do Campinas e a sua transformação em Sport Club Barueri, em 2010, o Cerecamp voltou a ficar órfão de uma equipe local. Entre 2009 e 2011, o estádio também chegou a receber jogos da tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Página especial
Por conta da ocasião comemorativa do aniversário de 80 anos do Campo do Mogiana, a página “Cerecamp — Nos Trilhos da Memória” foi criada na internet para contar a história do local por meio de depoimentos em vídeo de historiadores, pesquisadores, jornalistas e personagens que marcaram a trajetória do estádio. A página está disponível nas redes sociais (Facebook e Instagram) e também conta com um canal no Youtube
Historiador faz sugestões para a utilização do espaço
Com um passado marcado por muita pompa e modernidade, o octogenário conjunto esportivo do estádio Doutor Horácio Antônio da Costa é patrimônio histórico de Campinas desde novembro do ano passado, mas encontra-se atualmente interditado para receber eventos esportivos com presença de público, necessitando de restauração por parte do poder público.
“O primeiro passo para a municipalização do estádio já foi dado: o tombamento pelo CONDEPACC”, diz o historiador Fernando Pereira da Silva. “A estrutura do estádio foi construída com trilhos de trem e acredita-se que haja resistência por muito tempo, mas não seria justo a cidade de Campinas receber o estádio do jeito que está e assumir a despesa de uma reforma. Há áreas em torno do estádio que podem ser perfeitamente vendidas e isso traria recursos ao Governo do Estado para investir em uma reforma”, sugere o historiador.
“Depois, com uma legislação municipal, o local poderia ser alugado para uma série de atividades esportivas a partir de cobrança de ingresso. Com uma administração séria, esse dinheiro seria revertido para a própria manutenção do complexo, que pode se transformar no principal centro esportivo da cidade de Campinas. O local poderia receber fases decisivas dos campeonatos municipais e regionais de futebol, acolher esportes emergentes como rúgbi, agora olímpico, e futebol americano, além de abrigar escolas de artes marciais e de atletismo, como havia até pouco tempo atrás. Além disso, Guarani e Ponte Preta poderiam usar o campo de futebol para suas categorias de base em troca de colaborar na manutenção. A própria Secretaria de Esportes de Campinas poderia se mudar para lá, levando inclusive o Museu do Esporte para uma área bem maior do que ocupa atualmente no Parque Taquaral.
São milhares de pessoas que poderiam frequentar o Mogiana, até mesmo consumindo produtos em bares e lanchonetes terceirizados. Para que isso aconteça, a população precisa fazer a sua parte pressionando o poder público e cobrando a utilização adequada do espaço”, clama Fernando. 
SAIBA MAIS
O busto de Horácio da Costa é feito de bronze, foi executado pelo escultor Domingos Nucci na oficina artística de cantaria e estuque de Otaviano Papais e está assentado sobre pedestal de granito rosa apicoado, localizado na entrada principal do estádio desde 1945. As informações são do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

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11 recordes do futebol que jamais serão batidos

11 recordes do futebol que jamais serão batidos


Recordes estão aí pra ser quebrados. Essa frase é um clichê no esporte e de fato muitas marcas históricas são batidas todos os anos. Mas alguns recordes são tão impressionantes que devem perdurar ainda por muito tempo. Quem sabe para sempre. Aqui estão 11 deles.

 

Cabeçada à distância


Em 2011, Jone Samuelsen, do Odd Grenland, conseguiu a façanha de marcar um gol de cabeça do seu próprio campo contra o Tromso, em partida do Campeonato Norueguês. O percurso da bola – lembre-se: partindo da cabeça de Samuelsen – até as redes foi de 57,3 metros.

Os invencíveis


A maior série invicta do futebol pertence ao Steaua Bucareste, da Romênia. O clube ficou sem perder uma partida em duelos da liga e da copa do país de 1985 a 1989. Foram 119 jogos. É isso mesmo. Cento. E. Dezenove. É claro que neste período o Steaua abocanhou todos os títulos em disputa no país.

 

Goleiro-artilheiro


Rogério Ceni é o goleiro com mais gols marcados na história do futebol. Em 2006, o idolo do São Paulo alcançou contra o Cruzeiro o gol de número 62 em partidas oficiais, superando o então recordista José Luis Chilavert, e ganhou placa do “Guinness World Records”, o “Livro dos Recordes”. Ceni se aposentou em 2015, com 131 gols.
Rogério Ceni exibe sua placa do Guinness após superar Chilavert
Rogério Ceni exibe sua placa do Guinness após superar Chilavert
© RUBENS CHIRI / SÃO PAULO FC

Dois jogos em menos de 24 horas


Em 1994, Juninho Paulista, então no São Paulo, tornou-se o primeiro e até hoje único jogador a participar de duas partidas em menos de 24 horas. A jornada daquele 11 de novembro começou à tarde, quando Juninho encarou no Morumbi o Sporting Cristal, do Peru, pela Copa Conmebol. Um dos gols na vitória por 3 a 1 foi dele. Horas depois, no mesmo Morumbi, jogou alguns minutos nos 3 a 1 sobre o Grêmio, pelo Brasileirão.

O clube mais antigo do mundo


Se os ingleses foram os inventores do futebol, nada mais lógico que o time mais antigo do mundo seja de lá. Esse posto pertence ao Sheffield FC, fundado em 1857. Hoje, o clube disputa uma liga semiprofissional. Dos times que participam de ligas profissionais, o mais antigo é o Crystal Palace, fundado em 1861.

Mais gols em um ano


Messi só não fez chover em 2012. Com 91 gols em 69 jogos, contando Barcelona e seleção argentina, o craque quebrou o recorde mundial de gols marcados em um único ano. O detentor da marca até aquele momento era o alemão Gerd Müller, que fez 85 pelo Bayern de Munique em 1972.
Messi fez 91 gols em 69 jogos em 2012
Messi fez 91 gols em 69 jogos em 2012
© MIGUEL RUIZ / FC BARCELONA

Canhão para a história


Esqueça Roberto Carlos, Hulk ou Célio Silva (lembra?). O registro de chute mais forte em uma partida oficial é do brasileiro Ronny. Em 2006, o lateral esquerdo do Sporting encheu a barrinha de força e chutou de canhota a 222 km/h para o fundo do gol do Naval. Para comparação, aquela famosa cobrança de falta de Roberto Carlos contra a França, em 1997, fez a bola voar a 137,2 km/h.

Técnico com mais troféus


Os 27 anos à frente do Manchester United foram fundamentais para Alex Ferguson estabelecer esse recorde. Com 49 taças, o escocês é o treinador com mais títulos no futebol profissional. Além do United, Ferguson treinou também o St. Mirren e o Aberdeen.

O placar mais elástico


A Austrália não foi ao Mundial de 2002, mas deixou sua marca nas eliminatórias para o torneio. Em 2001, a equipe goleou Samoa Americana por impiedosos 31 a 0, a maior goleada já registrada no futebol profissional. Archie Thompson foi o artilheiro do dia, com 13 gols. A seleção samoana entrou em campo com jogadores sub-20, o que facilitou bastante a vida dos australianos.

Maior artilheiro em um só Mundial


O francês Just Fontaine precisou de apenas um Mundial para entrar para o livro de recordes do esporte. Em 1958, na Suécia, marcou 13 vezes, tornando-se o jogador com mais gols numa única edição. Artilheiro histórico da competição, o alemão Klose levou quatro Mundiais para chegar à marca de 16. Desde 1974, nenhum dos artilheiros passou de oito gols.

O gol mais rápido


Considerando apenas jogos entre profissionais, o gol mais rápido da história saiu em 1998 e pertence a Ricardo Olivera, do Rio Negro Capital, contra o Soriano, pelo Campeonato do Litoral, torneio secundário do Uruguai. Oliveira esperou apenas 2,8 segundos de partida para bater do meio-campo e marcar um golaço.

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Ida de Rogério Ceni ao Flamengo ensina uma dupla lição de carreira

Ida de Rogério Ceni ao Flamengo ensina uma dupla lição de carreira

Flamengo anunciou nesta terça-feira, 10, que Rogério Ceni será o novo técnico do time. O ex-jogador deixa o comando do Fortaleza e substitui o espanhol Domènec 

A troca já é emocionante para os torcedores pela ironia do destino: Ceni entra e terá como primeiro desafio uma disputa contra o São Paulo, seu time de origem. No entanto, o episódio também rende uma interessante (e dupla) lição de carreira.

Para José Augusto Figueiredo, presidente no Brasil da Consultoria LHH, a primeira lição não tem relação diretamente com Ceni. Não, o primeiro ponto a se observar é a saída de Dome em apenas 3 meses.

“Quando o Flamengo vai atrás de um técnico com grande nome internacional e não acha o que queria, o time trouxe Dome. Ele foi assistente do Guardiola, o maior técnico do mundo, por 10 anos. Nas empresas, muitas contratam executivos procurando dentro de empresas vencedoras, mas não checam se a pessoa tem condições para ter a liderança e a entrega necessárias”, comenta Figueiredo.

E, muitas vezes, os profissionais e as empresas erram juntos. Do lado de Dome, ele deveria ter negado uma oportunidade para a qual não estava qualificado. Do lado do time, há um erro na contratação sem verificar se o técnico cumpria os requisitos para o cargo.

“É o maior time do Brasil, a maior torcida e a maior pressão. É necessário saber quando você não está preparado para o desafio. Ele veio, ficou 3 meses e não implementou nenhum plano”, diz o especialista.

Uma das coisas mais difíceis na carreira de qualquer profissional é a escolha de novos desafios. Um passo errado pode atrasar seu progresso. E assumir uma grande responsabilidade pode significar um salto inimaginável.

E é aí que a lição com Ceni se encaixa: “No ano passado, Rogério Ceni estava no Fortaleza. Foi chamado para o Cruzeiro e não deu certo lá. Agora volta para o Fortaleza e faz um movimento parecido, abandona de novo para aceitar a proposta do Flamengo. Muitos executivos abandonam empresas sem fechar ciclos, mas acho que o caso dele é diferente: ele teve título e ciclos fechados com o time, melhorou as condições ali, mas o Fortaleza não tem mais a oferecer para ele”, conta Figueiredo.

Esse é o momento que os profissionais devem pensar em dar novos passos. Quando você deixa de aprender no trabalho atual, há um risco de estagnação do seu desenvolvimento. Se você deseja crescer, é preciso buscar algo novo.

“Na vida corporativa, você precisa avaliar quais ideias e contribuições teria para dar no novo emprego. Se você não sabe o que tem a oferecer, é melhor dizer não”, comenta.

Quanto à disputa contra o time que o formou, o especialista lembra que a vida profissional também é cheia de coincidências e reencontros com ex-empregadores.

“Acho que o perfil dele tem mais sinergia com o estilo do Flamengo, com o grau de competitividade que ele demonstra”, fala o executivo. “Na Copa do Brasil, ele perdeu contra o São Paulo nos pênaltis quando estava no Fortaleza. Agora, vai ter outra chance. Se ganhar agora, vai ser uma grande ironia”.

 

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7 benefícios do pilates para jogadores de futebol e peladeiros

7 benefícios do pilates para jogadores de futebol e peladeiros

O futebol é o esporte mais popular no Brasil há muitas décadas, levando milhares de pessoas ao estádio ou para a frente da televisão a cada jogo. Sem contar a quantidade enorme de praticantes, entre profissionais, amadores e “jogadores de fim de semana”. A prática do futebol, no entanto, exige muito condicionamento físico. Para se ter uma ideia, um jogador corre, em média, 12 quilômetros por partida, com mudanças de direção e intensidade, além de se utilizar de movimentos bem variados. O resultado pode ir de jogadas belíssimas a lesões que podem afastar o atleta dos campos por períodos curtos, longos, ou até definitivamente, dependendo da gravidade da patologia.

+ 5 benefícios do pilates para jogadores de vôlei
+ 5 benefícios do pilates para quem faz corrida de montanha ou trilha

Incluir o pilates como complemento de treino fará de você um jogador de futebol mais completo e aumentará seu desempenho dentro de campo — Foto: Istock Getty Images

Além dos traumas decorrentes de choques entre jogadores, os problemas mais comuns estão ligados à explosão muscular e movimentos de rotação, principalmente nas coxas, nos joelhos e tornozelos. Entorses, contusões, estiramentos e tendinites, por exemplo, são palavras relativamente comuns no mundo futebolístico. É necessária, portanto, para evitar tais lesões, uma boa preparação também fora dos campos. Trabalhar bem o corpo e a mente diminui substancialmente a frequência e a gravidade desses contratempos. Uma boa atividade complementar, tanto para profissionais quanto pra quem só joga aquela pelada de fim de semana, é o Pilates. Veja alguns de seus benefícios para os futebolistas e peladeiros de plantão:


 

  1. Fortalece e alonga toda a musculatura que dá sustentação à coluna (o core ou power house), melhorando a consciência e o alinhamento postural, a potência e a eficiência dos chutes;
  2. Aumenta a resistência, por meio da melhora da capacidade respiratória, que é trabalhada de forma correta em cada um dos exercícios;
  3. Melhora a resistência muscular, ajudando o atleta a se manter mais tempo dentro de campo e se movimentado;
  4. Trabalha, estrategicamente, o fortalecimento, a flexibilidade e o alongamento muscular e articular, respeitando as características e limitações de cada pessoa, para melhorar a qualidade dos movimentos e diminuir o desgaste físico;
  5. Ajuda a prevenir e a recuperar as lesões;
  6. Melhora a concentração e a coordenação motora, proporcionando ao jogador uma visão mais estratégica e passes mais precisos durante as partidas;
  7. Trabalha a precisão dos movimentos e melhora a técnica do gesto esportivo.

 

Concluindo, incluir o pilates como complemento de treino fará de você um atleta mais completo e aumentará seu desempenho dentro de campo.

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Não fique aí parado: faça esses 8 exercícios de 3 minutos cada ao longo do dia

Não fique aí parado: faça esses 8 exercícios de 3 minutos cada ao longo do dia

Foto: Divulgação/ Dana Santas

Durante a pandemia, muitas pessoas que antes se deslocavam para escritórios e locais de trabalho passaram a trabalhar em casa. Infelizmente, esse tempo adicional em casa quase sempre equivale a um tempo mais sedentário.

Quer você trabalhe em casa ou não, se sua rotina o deixa sentado por horas seguidas, é importante fazer um esforço para se movimentar ao longo do dia para evitar implicações negativas na saúde, como um risco maior de câncer. Na verdade, interromper longos períodos sentado com um pouco de exercício pode melhorar sua saúde e o condicionamento físico.

E se, ao longo de um dia de oito horas, você se levantasse e se movesse três minutos a cada hora?

São 24 minutos de exercícios diários. Adicione mais 10 minutos de caminhada ou subida de escadas antes ou depois do trabalho e você terá 34 minutos diários, ou 170 minutos por semana. Isso está bem acima do limite mínimo semanal de 150 minutos, ou 2,5 horas, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, e sem precisar colocar os pés em uma academia.

Saiba como colocar, de maneira prática, intervalos de exercício de três minutos em um dia de trabalho sedentário de oito horas.

1. Levante-se e sente-se

É importante levantar-se da cadeira pelo menos uma vez por hora. A maneira mais simples de começar a se mover é fazer o ato de se levantar da cadeira e sentar-se novamente para fazer um exercício.

Esse é o conhecido exercício de agachamento, indicado por professores de academia e treinadores. De pé, na frente da sua cadeira, sente-se lentamente, fazendo contato com o assento sem colocar todo o seu peso sobre ele. Em seguida, levante-se começando por colocar força nos pés, depois, nas pernas e, por fim, nos quadris. Repita esse movimento, em seu próprio ritmo, por três minutos completos.

Se estiver com vontade, depois de um ou dois minutos, você pode progredir para o agachamento com o peso corporal e sem a cadeira.

Se sua cadeira tiver rodas, certifique-se de travá-las antes de realizar o agachamento.

2. Faça seu coração bater mais forte

Seu corpo é projetado para se mover em três tipos de movimento: sagital (para frente e para trás), transversal (rotação) e frontal (de lado a lado). Por isso, é importante se exercitar em todos eles. Pense nisso: enquanto está sentado em uma mesa, você não está fazendo muitos movimentos de um lado para o outro. Tudo tende a estar bem na sua frente.

Os saltos de um lado para o outro são um movimento simples, mas eficaz, que faz seu coração disparar. Dito isso, não estou recomendando que você pule da cadeira a cada hora e imediatamente comece a fazer polichinelos.

Para evitar o risco de lesões após ficar sentado por muito tempo, primeiro prepare seu corpo para qualquer tipo de atividade de alto impacto. O tempo de preparação já pode ser inserido nos três minutos de exercício. Gaste um minuto fazendo algumas curvas laterais, correndo sem sair do lugar antes de começar os polichinelos. Se pular consiste em um movimento difícil para você, modifique com passos laterais alternados em vez de pulos.

3. Mova suas mãos para aliviar a tensão

Você já pensou que a tensão em suas mãos por causa de toda aquela digitação pode estar contribuindo para a tensão em seus ombros?

Os músculos trabalham em cadeia. Então, a tensão pode subir e descer pelo corpo. Quando você está com uma área tensionada ou imóvel, outros músculos precisam compensar para ajudá-lo a se mover. Esses músculos ficam sobrecarregados e tensos, desencadeando uma reação em cadeia de compensação muscular e tensão crônica.

Para realizar exercícios de mão, concentre-se em uma mão de cada vez. Descanse o cotovelo da mão que você está exercitando sobre a mesa para estabilizá-lo. Feche o punho, abra a mão e afaste os dedos o máximo possível. Repita cinco vezes.

Em seguida, feche o punho e gire lentamente o pulso em uma direção cinco vezes. Repita o movimento na direção oposta. Abra a mão e use a outra mão para pressionar suavemente os dedos para trás e esticar a parte interna do punho e da mão. Segure por três respirações. Repita, pressionando a mão para frente para esticar as costas da mão e o punho.

Em seguida, concentre-se em seus dedos. Use a mão oposta para segurar e estabilizar o punho enquanto estica o polegar e fazer três círculos em uma direção, e depois, na outra direção. Repita esta ação com o melhor de sua capacidade, com cada dedo. Repita todos os exercícios com a outra mão.

Termine levantando-se, entrelaçando os dedos e esticando os braços acima da cabeça, com as palmas das mãos voltadas para cima. Segure por algum tempo e repita com as mãos entrelaçadas à sua frente. Em seguida, repita com as mãos atrás de você.

Você pode descobrir que tem mais domínio de uns dedos do que de outros, e que é mais difícil com a mão não dominante. Não tem problema. Faça o melhor que puder e você verá melhorias com o tempo.

4. Mova seus pés também

O mesmo tipo de reação em cadeia muscular causada pela tensão pode acontecer com seus pés. Gastar apenas alguns minutos por dia movendo ativamente os pés e tornozelos pode ter um impacto considerável em como você se sente por inteiro.

Você precisará tirar os sapatos e, se possível, as meias. No entanto, se você trabalha em um escritório de verdade, tenha consideração com os colegas de trabalho que podem não querer ver (ou cheirar) seus pés!

Cruze uma perna sobre a outra e dedique-se ao pé de cima. Aponte os dedos dos pés para a frente e para baixo, como uma bailarina, depois, flexione o pé para trás e aponte para cima, forçando o máximo que puder. Repita 10 vezes. Em seguida, circule lentamente o tornozelo em uma mesma direção por 10 vezes. Repita, agora, na direção oposta. Passe um momento se dedicando aos dedos dos pés, vendo se consegue mover o dedão do pé, o dedinho e os outros dedos de forma independente. Repita os exercícios com o outro pé.

Finalmente, levante-se e faça 10 repetições de alternância, deslocando seu peso uniformemente para a parte externa dos pés, tentando levantar as bordas internas e, em seguida, mudando o peso para a parte interna dos pés enquanto tenta levantar as bordas externas. Em seguida, faça dez elevações lentas e controladas da panturrilha, levantando os calcanhares e empurrando o peso sobre a planta dos pés e, em seguida, baixando os calcanhares de volta. Coloque uma das mãos em uma cadeira ou na parede para manter o equilíbrio.

5. Eleve sua energia e humor com uma pausa para dançar

É comum que a energia mental e física diminua à tarde, após o almoço. Em vez de pegar aquela xícara extra de café ou bebida energética, por que não fazer uma pausa para dançar ao som de uma de suas músicas favoritas?

A maioria das músicas tem, em média, de três a quatro minutos, então você mais do que cobrirá sua cota de movimento por hora. Basta colocar uma música agradável e deixar seu corpo se mover.

6. Pratique reuniões em pé e em movimento

Agora que todos descobriram o Zoom, é raro ter um dia de trabalho que não inclua pelo menos uma reunião virtual. Durante essas reuniões, posicione sua tela em uma superfície mais alta, como uma ilha dessas de cozinha, para que você possa ficar de pé confortavelmente durante a reunião. Em pé, passe alguns minutos marchando suavemente no lugar ou mudando o peso de um pé para o outro para trabalhar o equilíbrio.

Se você tem reuniões diárias regulares com pessoas que você conhece bem, pergunte se eles gostariam de instituir um intervalo. Caso não haja tempo para pausas, os participantes da reunião também podem se revezar na condução e facilitar o exercício.

7. Recorrer às boas e velhas flexões

Há uma razão pela qual a flexão continua sendo um exercício utilizado há mais de um século. Você não encontrará muitos outros exercícios como ele, que aumentem a força da parte superior do corpo e do tronco. Embora desafiador, há maneiras fáceis de modificá-lo para garantir que alguma variação da flexão seja acessível para quase qualquer pessoa.

As flexões tradicionais são feitas no chão, em uma posição de prancha, com as pernas esticadas para trás e os pulsos na direção dos ombros. Você dobra os braços e estabiliza o tronco para abaixar o corpo quase até o chão e, em seguida, estica os braços para empurrar de volta para cima.

Para fazer o exercício por três minutos, faça quantas flexões puder de maneira correta por 20 segundos e depois descanse por mais 10. Repita por seis vezes. Para deixá-lo mais fácil, você pode colocar os joelhos no chão ou elevar as mãos em uma escada ou assento de cadeira. Você também pode usar algo como uma prancha para apoiar.

8. Dedique alguns minutos para corrigir sua postura e prevenir a dor

É útil gastar alguns minutos recuperando-se ao sentar-se na frente de uma tela. Concentre-se em movimentos que abram e relaxem aquela postura curvada que tendemos a ter na frente de nossos computadores e quando olhamos para nossos telefones. Faça alongamentos e torções suaves no tórax e nas costas.

Você se lembra dos tipos de movimento que mencionei anteriormente? A torção é o tipo transversal, movimento que não costumamos acionar quando estamos em nossas mesas.

Não se esqueça de andar

Caminhar é um dos exercícios mais acessíveis para queimar gordura de todo o corpo. Todos os dias, tente fazer uma caminhada de pelo menos 10 minutos de preferência, ao ar livre. Se o clima ou o ambiente forem obstáculos para caminhar, considere este exercício simples de 11 minutos em casa como uma alternativa.

Com 24 minutos de movimento para interromper seu dia de trabalho, adicionar até mesmo uma caminhada de seis minutos o levará a uma boa marca de 30 minutos de exercícios diários. Depois de apenas uma semana praticando este programa, você definitivamente notará um aumento em sua saúde e condicionamento físico.

* Dana Santas, conhecida como “Mobility Maker”, é uma especialista em força e condicionamento, treinadora da mente e do corpo em esportes profissionais. É autora do livro “Practical Solutions for Back Pain Relief” (“Soluções práticas para o alívio da dor nas costas”, em tradução livre).

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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