Educação Fisica pode estar afastando seu filho do esporte

Publicado em 07/04/2017 às 21h30

Enquanto a reforma do ensino médio é aprovada no Senado e sancionada pelo Presidente da República, um ponto precisa de reformulação urgente: a educação física. A disciplina, que esteve ameaçada de ser tirada do currículo obrigatório, deveria na verdade ter mais espaço na grade, aproveitando o aumento da carga horária escolar determinado pela reforma.

Os estudos dizem que para uma criança aprender uma habilidade em nível interessante, são necessárias dez mil repetições de cada um dos movimentos nas mais diversas situações, o que coloca totalmente por água abaixo a teoria de que o esporte se aprende na aula de educação física escolar. O máximo que se consegue é gerar uma experiência com algumas habilidades. No entanto, o modelo proposto e experimentado pelas crianças é competitivo e excludente, de forma que se prioriza a minoria dos alunos habilidosos em detrimento dos demais. São jogos competitivos e não cooperativos, que acabam gerando uma experiência negativa, afastando definitivamente a atividade física da vida desse jovem.

Alguns ainda têm aquele velho discurso de que a competição é importante para a vida, mas vários casos de excelentes competidores no esporte que fracassaram na “competição da vida real” estão na cara de todos para demonstrar que isso é uma falácia.

Além de causar desinteresse pela prática da atividade física, empurrando crianças e jovens ao sedentarismo, o modelo atual da disciplina também é um dos responsáveis pelo crescimento do bullying escolar, o que ajuda a traumatizar o jovem e afastá-lo. Os menos habilidosos não ganham medalhas, não são chamados para o time da escola, são criticados e ofendidos pelos amiguinhos, são os últimos a serem escolhidos e os que menos participam do jogo, e logo, estão na contramão do que a ciência preconiza sobre aprendizagem motora e também sobre educação.

Modelo competitivo favorece a exclusão, o desinteresse e o bullying escolar (Foto: istock)

Modelo competitivo favorece a exclusão, o desinteresse e o bullying escolar (Foto: istock)

 

A educação física acontece na cabeça. Na mudança de entendimento sobre como o corpo funciona, e porque ele precisa de movimentos. A quadra é apenas um laboratório, para ir lá testar o conteúdo teórico, vivenciar, entender, sentir e aí sim escolher qual atividade cada um gosta mais para num período fora da aula, poder ir atrás de sua preferência. Aula de educação física não é momento de lazer nem de extravasar como alguns sugerem. E se precisa existir esse momento, que seja, num outro horário, fora das aulas de educação física, que já são poucas perto de outras disciplinas.

Um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado no ano passado revelou que o número de casos de bullying escolar está crescendo no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar mostrou que, em 2015, 46,6% dos 13 milhões de jovens entrevistados entre 13 e 17 anos de escolas públicas e particulares de todas as regiões do país disseram já ter sofrido algum tipo de bullying. Em 2012, a porcentagem era de 35,3%. A aparência física está entre os principais motivos.

É preciso pensar a educação física de modo educacional, como acontece com as demais disciplinas. Ela deve fazer o estudante entender a importância e as diferentes formas de se movimentar, compreender como o corpo e o organismo funcionam e como pode ficar mais debilitado e suscetível a doenças sem a prática regular de uma atividade física. Já que a proposta da reforma não citou a necessidade dessa alteração, a mudança de cultura faz parte de um grande desafio para os profissionais do país. Para cumpri-lo, basta planejar e usar o enorme universo de conceitos e ideias da área para explicar, dar base e conhecimento para o aluno praticar, entendendo o corpo e o exercício, de modo que se sinta permanentemente estimulado a levar uma vida ativa.

CRISTIANO PARENTE

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