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8ª Copa Big Ball de Futsal 2017

Publicado em 08/10/2017 às 09h03

Confira a tabela da 8ª Edição do Big Ball de Futsal, torneio realizado na Região do Ouro Verde em Campinas com tradicionais confrontos no local

 

a primeira rodada se inicia agora em 08/10, prometendo jogos disputados até dezembro as equipes

 

Tabela de jogos 8º Copa Big Ball de Futsal

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SPORTFLIX, A NETFLIX DO ESPORTE

Publicado em 08/08/2017 às 13h42

Enquanto TwitterFacebook e Amazon acirram a disputa pelo streaming das principais ligas esportivas do mundo, um novo player irá surgir muito em breve e irá impactar diretamente no consumo de conteúdo do setor. Sabe a Netflix? Aquela plataforma de filmes séries que bateu 100 milhões de usuários em junho e fechou o balanço de 2016 com US$ 8,3 bilhões em receitas? Então prepara-se para um modelo de negócio que segue esta mesma linha e que transmitirá os principais campeonatos e eventos esportivos do mundo.

Criado pelo mexicano Matías Said, e com investidores americanos e europeus, o Sportflix promete seguir a inovação iniciada pela Netflix, desta vez, para a indústria do esporte. Marcado para ser lançado no dia 30 de agosto, a promessa é que a plataforma de streaming transmita 95% de eventos esportivos. E isso engloba: Libertadores, Recopa, Brasileirão, Copa do Mundo, Olimpíadas, Champions League, Premier League, Ligue 1, La Liga Santander, NBA, NHL, NFL, MLB, F1, UFC, boxe e muito mais.

Como ligas e confederações não divulgaram nada a respeito da comercialização dos seus direitos, ainda não se sabe se o conteúdo será ao vivo ou apenas retransmissões. No dia 30, esta dúvida certamente será esclarecida oficialmente.

sportflix_

Sportflix será lançado para o Brasil, México, Argentina, Estados Unidos, Espanha, Itália, Alemanha, França e Inglaterra. São três categorias de planos disponíveis que variam de US$ 19,99 a US$ 29,99, o que os diferencia é a quantidade de telas que o cliente gostará de ter acesso.

Os criadores esperam que até o final do ano a plataforma alcance 400 mil inscritos e o plano de expansão global não contemplará apenas países com restrições impostas pelo governo em relação ao acesso à internet e entretenimento.

O surgimento e, principalmente, a consolidação de plataformas como YouTube, Netflix e redes sociais, ratificam que cada vez mais a tendência de produzir conteúdo por demanda e que agregue as mais variadas telas. Em 2016, o setor movimentou US$ 352 milhões no Brasil e impactou 11% dos brasileiros. Por aqui, Now e Netflix são os destaques do segmento.

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Entenda como Evitar Lesões no Futebol

Publicado em 11/07/2017 às 19h33

Já vi algumas carreiras brilhantes no futebol serem interrompidas por causa de lesões.

Elas são um fantasma que assombra a todos os praticantes do esporte. Se você tem o sonho de ser jogador profissional, o caso é ainda mais sério, pois estar contundido pode te tirar de partidas importantes ou até de campeonatos inteiros.

No futebol, obviamente as lesões dos membros inferiores são mais comuns. Pancadas, torções e músculos estourados são riscos que o jogador corre o tempo inteiro.

•Agora, como prevenir lesões no futebol?
Aí vão algumas dicas:

- Usar chuteiras e caneleiras bem ajustadas;
- Estar ciente de que campos irregulares ou esburacados podem facilitar lesões;
- Hidratar-se corretamente - 75% do peso de um músculo é composto por água;
- Respeite as limitações do seu corpo - após um período de inatividade, volte aos poucos;
- Evite lesões por treino excessivo - diminua o tempo de treinamento e intensidade se a dor ou desconforto se desenvolver;
- Faça aquecimentos e alongamentos adequados antes dos treinos - preparar seu corpo é primordial;
- Na dúvida, consulte um médico ou especialista.

As dicas são simples, mas importantíssimas.
Se cuide e repasse para a BOLERAGEM de plantão!

-Extraído e adaptado-
○Com amor, Rafa Soutello○

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O Segredo- Por Daniel Alves

Publicado em 02/06/2017 às 06h39

Eu vou começar contando um segredo. Na verdade, você pode tomar conhecimento de alguns segredos nesta história, porque sinto que sou incompreendido por muita gente. Mas vamos começar com esse primeiro segredo.

Três meses atrás, quando o Barcelona fez sua incrível remontada contra o Paris St-Germain pela Champions League, eu estava assistindo a cada lance sentado no meu sofá. Você podia pensar a partir da leitura dos jornais que eu esperava que meu antigo clube perdesse.

Mas e quando meu irmão Neymar marcou aquele lindo gol de falta? Eu pulei do sofá e estava gritando para televisão.

“Vamooooooos”

Quando o Sergi Roberto operou aquele milagre aos 50 minutos do segundo tempo?

Como todos os demais torcedores do Barça ao redor do mundo, eu estava ficando completamente maluco. Porque a verdade é que o Barcelona ainda está no meu sangue.

Fui desrespeitado pela cúpula dos dirigentes quando eu saí do clube no verão passado? Certamente que sim. É simplesmente a maneira como eu me sinto a respeito, e você jamais pode dizer algo diferente a esse respeito para mim. Mas não é possível jogar por um clube ao longo de oito anos, e alcançar tudo o que nós alcançamos, e não ter esse mesmo clube no coração para sempre. Dirigentes, jogadores e membros do conselho vêm e vão. Mas o Barça nunca vai desaparecer.

Quando eu fui para a Juventus, eu fiz uma promessa final para a cúpula do Barcelona. Eu disse, “Vocês vão sentir saudades de mim”.

Eu não quis dizer como jogador. O Barça tem muitos jogadores incríveis. O que eu quis dizer foi que eles iriam sentir saudade do meu espírito. Eles iriam sentir saudade de alguém que prezava tanto pelo ambiente e pelo clube. Eles iriam sentir saudade do sangue que eu derramei todas as vezes que eu coloquei a camisa do Barcelona.

Quando eu tive de jogar contra o Barcelona na rodada seguinte, pelas quartas-de-final da Champions League, havia um sentimento bastante estranho no ar. Especialmente no segundo jogo, no Camp Nou, a sensação era a de que eu estava em casa de novo. Pouco antes do jogo começar, eu fui até o banco de reservas do Barcelona e cumprimentei meus colegas, e eles diziam: “Dani, venha e sente aqui conosco. Nós guardamos o seu lugar, irmão”.

Eu estava dando a mão para todos de costas para o árbitro. De repente, eu ouvi um apito. Eu me virei e o árbitro já iniciara a partida. Saí correndo para o campo, e eu pude ouvir meu antigo treinador, Luís Henrique, se matando de rir.

É engraçado, não? Mas aquele jogo não era uma piada, especialmente para mim. As pessoas me veem e dizem: “O Dani está sempre brincando. Ele está sempre sorrindo. Ele não é sério.”

Preste atenção, vou te contar outro segredo. Antes de eu enfrentar os melhores atacantes do mundo – Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo – eu estudo as suas forças e as suas fraquezas como uma obsessão, e então eu planejo como vou atacar. Meu objetivo é mostrar ao mundo que Dani Alves está no mesmo nível. Talvez eles me driblem uma ou duas vezes. Certo, tudo bem. Mas eu irei para cima deles, também. Eu não quero ser invisível. Eu quero o palco. Mesmo aos 34 anos, depois de 34 troféus, eu sinto que tenho de provar isso todas as vezes.

Mas ainda é mais profundo do que isso.

Pouco antes de cada partida, eu sigo a mesma rotina. Eu fico de frente ao espelho por cinco minutos e bloqueio todo o resto. Então um filme começa a rodar na minha cabeça. É o filme da minha vida.


Na primeira cena, eu tenho 10 anos de idade. Eu estou dormindo numa cama de concreto na pequenina casa da minha família em Juazeiro (BA), Brasil. O colchão é tão fininho quanto o seu dedo mindinho. A casa cheira a terra molhada, e ainda está escuro lá fora. São 5 da manhã, e o sol ainda não nasceu, mas eu tenho de ajudar a meu pai na nossa fazenda antes de ir à escola.

Meu irmão e eu vamos para o campo, e nosso pai já está lá, trabalhando. Ele está carregando um tanque grande e pesado nas costas, ele está pulverizando as plantas e as frutas para matar as pragas de uma colheita.

Meu irmão e eu provavelmente somos muito novos para manipular, mas ainda assim nós ajudamos. Esta é a nossa forma de comer… de sobreviver. Por horas, eu fico competindo com meu irmão para ver quem é o trabalhador mais dedicado. Porque aquele que mais ajudar a nosso pai vai ter mais direito ao uso da nossa única bicicleta.

Se eu não ganhar a bicicleta, eu terei de caminhar 20 quilômetros da nossa fazenda até a escola. A volta da escola é ainda pior, porque eu tinha de voltar correndo para conseguir chegar a tempo de jogar a pelada.

Mas e se eu ganhar a bicicleta? Então eu posso ficar com as meninas. Eu posso escolher uma delas no caminho e oferecer uma carona até a escola. Por 20 quilômetros, eu sou o cara.

Então eu trabalho duro para caramba.

Eu olho para o meu pai enquanto eu saio para a escola, e ele ainda está com o mesmo tanque grande e pesado nas costas. Ele tem ainda um dia inteiro pela frente, e então à noite ainda há o pequeno bar que ele administra para ganhar um dinheiro extra. Meu pai foi um jogador incrível quando ele era mais jovem, mas ele não teve dinheiro para ir até a cidade grande e ser notado pelos olheiros. Então ele faz questão de que eu tenha essa oportunidade, mesmo que isso custe a vida dele.

A tela escurece.

Agora, é domingo, e nós estamos assistindo aos jogos de futebol na TV preto-e-branca. Há um bombril amarrado na antena para que nós possamos pegar o sinal da cidade, que está muito distante. Para nós, esse é o melhor dia da semana. Há muita alegria em nossa casa.

A tela escurece.

Agora meu pai está me levando para a cidade com seu carro velho para que alguns olheiros possam me ver jogar. O carro tem transmissão manual, só com duas marchas – devagar e muito devagar. Eu posso sentir o cheiro da fumaça.

Meu pai é um lutador. Eu tenho de ser um lutador, também.

A tela escurece.

Agora, eu tenho 13 anos, e eu estou numa academia de futebol para jovens jogadores numa cidade maior, longe da minha família. Há 100 garotos reunidos num dormitório pequeno. É como se fosse uma prisão. No dia antes de eu sair de casa, meu pai me comprou um conjunto novo para jogar. Com isso, ele dobrou meu guarda roupa. Até então, eu só tinha um conjunto.

Depois do primeiro dia de treinamento, eu pendurei meu conjunto novo no varal. Na manhã seguinte, tinha sumido. Alguém levou. É quando eu percebo que esta já não é mais a fazenda. Este é o mundo real, e a razão para chama-lo de mundo real é porque a coisa é pra valer aqui fora.

Voltei para o quarto, e eu estava morrendo de fome. Nós treinávamos o dia inteiro, e não havia comida no suficiente no campo. Alguém tinha roubado as minhas roupas. Eu sinto saudades da minha família, e definitivamente eu não sou o melhor jogador por aqui. De 100, talvez eu seja o número 51 em termos de habilidade. Então eu faço para mim mesmo uma promessa.

Eu digo a mim mesmo: “Você não vai voltar para a fazenda até você deixar seu pai orgulhoso. Você pode ser o número 51 em habilidade. Mas você será o número 1 ou 2 em força de vontade. Você será um lutador. Você não vai voltar para casa, não importa o que aconteça”.

A tela escurece.

Agora, eu tenho 18 anos de idade, e eu estou contando uma das únicas mentiras que eu já disse no futebol.

Estou jogando pelo Bahia no Campeonato Brasileiro quando um importante olheiro vem até mim e diz: “O Sevilla está interessado em te contratar”.

Eu digo: “Sevilha, maravilhoso”

O olheiro diz: Você sabe onde fica?”

Eu digo: “Claro que eu sei onde Sevilha fica. Sev-iiiiiilha. Eu amo.”

Só que eu não faço a menor ideia onde fica Sevilha. Pelo que eu sabia podia ser na Lua. Mas do jeito que ele diz o nome parece importante, então eu minto.

Alguns dias depois, eu começo a perguntar por aí, e eu descubro que o Sevilha joga contra o Barcelona e o Real Madrid.

Eu digo para mim mesmo: “Agora”

Só se for agora! Vamos!

A tela escurece.

Agora em Sevilha, e estou tão mal nutrido que os técnicos e os outros jogadores olham para mim como se eu tivesse de jogar pela equipe mais jovem. Eu estou no meio dos seis meses mais difíceis da minha vida. Eu não falo o idioma. O treinador não está me colocando para jogar, e pela primeira vez eu penso em voltar para casa.

Mas então, por alguma razão, eu penso no conjunto que meu pai tinha comprado quando eu tinha 13 anos de idade. Aquele que levaram. E eu penso no meu pai novamente com o tanque grudado nas costas, espalhando veneno. E eu decido que vou ficar e aprender o idioma e tentar fazer alguns amigos, assim ao menos eu posso voltar ao Brasil com uma experiência nova para compartilhar.

Quando começa a nova temporada, nosso diretor passa a instrução a todos: “Aqui no Sevilha nossa defesa não ultrapassa a linha do meio campo. Nunca”.

Eu jogo alguns jogos, chuto a bola por aí, olhando sempre para aquela linha. Somente olhando para ela, como um cachorro que está com medo de ultrapassar alguma linha invisível no quintal. Então, num jogo, por alguma razão, eu apenas me solto. Eu tenho que ser eu mesmo.

Eu digo, “Agora

Eu simplesmente vou. Ataque, ataque, ataque.

Funciona como se fosse mágica. Depois disso, o técnico diz: “OK, Dani. Nova estratégia. No Sevilha, você ataca.”

Em poucos anos, nós vamos de um clube que ficava na zona do rebaixamento para levantar a taça da Copa da UEFA duas vezes.

A tela escurece.

Meu telefone está tocando. É meu agente.

“Dani, o Barcelona está interessado em te contratar”

Eu não tenho que mentir desta vez. Eu sei onde fica Barcelona.

 

 


 

Este é o filme que roda na minha cabeça quando eu olho para o espelho antes de cada partida. Ao final, antes de eu voltar para o vestiário, eu sempre digo a mesma coisa para mim mesmo.

Mano, eu vim da Pqp.

E estou aqui agora.

É irreal, mas eu estou aqui.

…Bora.

Quando eu tinha 18 anos de idade, eu atravessei o oceano para jogar por um clube que jogava contra o Barcelona. Então ter a honra de jogar pelo Barcelona? Era incrível. Eu consegui ser a testemunha de um verdadeiro gênio.

Eu me lembro que, durante um treino, o Messi estava fazendo coisas com a bola nos pés que desafiavam a lógica. Claro, é o tipo de coisa que ele fazia todos os dias. Só que desta vez algo estava diferente.

Agora, eu preciso lembrar a você, era uma sessão de treinamento extremamente intensa. Nós não estávamos brincando, jogando bobinho. O Messi estava driblando, atravessando a defesa, e finalizando como um matador.

E então, enquanto ele está passando por mim, e eu olho para os pés dele, e eu estou pensando comigo mesmo: “Isto é uma piada?”

E ele está passando por mim novamente, e eu penso: “Não, é impossível”.

E ele está passado por mim novamente, e agora eu tenho certeza do que estou vendo.

As malditas das chuteiras estavam desamarradas. As duas.

Eu quero dizer completamente desamarradas. Esse cara estava jogando contra os melhores defensores do mundo, simplesmente flutuando, e ele age como se fosse um domingo no parque. E esse foi o momento em que eu soube que eu jamais jogaria com alguém como ele novamente na minha vida.

E então, claro, há Pep Guardiola.

Se você virar a palavra computador de trás para frente, vai aparecer Steve Jobs.

Se você virar a palavra “futebol” de trás para frente, vai aparecer Pep.

Ele é um gênio. Vou dizer novamente. Um gênio.

Se você virar a palavra “futebol” de trás para frente, vai aparecer Pep.

Pep contaria para você exatamente como tudo ia acontecer num jogo antes mesmo da partida começar. Por exemplo, o jogo contra o Real Madrid em 2010, quando nós ganhamos de 5-0? Pep nos disse antes do jogo, “Hoje, vocês vão jogar futebol como se a bola fosse de fogo. A bola jamais ficará nos pés de vocês. Nem meio segundo. Se vocês fizerem isso, não haverá tempo para que eles nos pressionem. Nós ganharemos facilmente.”

Quando nós saíamos de uma preleção como essa a sensação era de que o jogo já estava 3-0 para nós. Nós estávamos tão preparados, tão confiantes, que nós sentíamos que já saíamos ganhando.

A coisa mais engraçada era se nós terminássemos o primeiro tempo e o jogo não estivesse indo bem; Pep se sentaria e esfregaria a cabeça.

Você sabe como ele esfrega a cabeça? Você já deve ter visto, não? É como se ele estivesse massageando o cérebro, procurando o gênio para agarrá-lo.

Ele faria isso na nossa frente no vestiário. Então, como mágica, surgiria uma revelação para ele.

Bang!

“Já sei!”

Daí, ele pularia e começaria a dar as instruções, desenhando o esquema no quadro.

“Nós faremos isto, e isto, e isto; e então nós marcaremos o gol”.

Então nós saíamos e fazíamos isto, e isto, e isto. E era assim que nós fazíamos o gol. Era uma coisa maluca.

Pep foi o primeiro treinador da minha vida que me ensinou a jogar sem a bola.

E ele não somente exigiria que os jogadores mudassem seu jogo, ele nos fazia sentar e nos mostrava por que gostaria que nós mudássemos com estatísticas e vídeo.

Aqueles times do Barça eram quase imbatíveis. Nós jogávamos de memória. Nós já sabíamos o que nós iríamos fazer. Nós não tínhamos que pensar.

É por isso que, até hoje, o Barça está no meu coração.

E foi por isso que, quando nós batemos o Barcelona na Champions League, eu fui até meu irmão Neymar, e dei um abraço nele. Ele estava chorando, e eu estava quase chorando, também.

Eu posso imaginar as pessoas lendo isso, perguntando-se por que é que estou dividindo esses segredos.

Bem, a verdade é que estou com 34 anos. Eu não sei por quanto tempo ainda vou jogar. Talvez dois ou três anos. E eu sinto que as pessoas não me entendem, tampouco a minha história completa.

Quando eu vim para a Juventus nesta temporada, foi como se eu estivesse saindo de casa novamente. Eu fiz isso com 13, quando fui para a escola de futebol. Eu fiz novamente aos 18, indo para a Espanha. E fiz mais uma vez, aos 33, indo para a Itália.

Outra vez, eu estava como o cachorro no quintal. Eu estava olhando a cerca invisível.

Devo ir?

Mas eu não fui. No começo desta temporada, eu quis ter a certeza de que os jogadores da Juve entendiam que eu respeitava a filosofia deles, assim como a história do clube. Uma vez que eu tivesse a confirmação de ter conquistado o seu respeito, eu tentaria mostrar a eles minha força, também.

Um dia, eu olhei para a linha do meio campo e disse para mim mesmo, Devo ir?

Bang! Agora.

Ataque, ataque, ataque (e, OK, um pouco de defesa, também, ou Buffon ficará gritando comigo).

Às vezes, eu penso que a vida é um círculo.

Veja, eu não consigo escapar destes argentinos.

No Barça, eu tinha o Messi.

Na Juve, eu tenho o Dybala.

Os gênios me seguem em todo o lugar, eu juro.

Um dia, no treinamento, eu vi uma coisa no Dybala que eu vi no Messi. Não é apenas o dom do puro talento. Eu tenho visto isso muitas vezes na minha vida. É o dom do puro talento combinado com a vontade de conquistar o mundo.

No Barça, nós jogávamos de memória.

Na Juve, é diferente. É a mentalidade coletiva que nos levou até a final da Champions League. Quando o apito soar, nós simplesmente daremos um jeito de ganhar não importa a dificuldade. Ganhar não é apenas um objetivo para a Juve; é uma obsessão. Não há desculpas.

Neste sábado, eu tenho a chance de conquistar a 35ª taça em 34 anos de vida na terra. É uma oportunidade especial para mim, e isso não tem nada a ver com provar para a cúpula do Barcelona que eles cometeram um erro ao me deixarem sair de lá.

Eu sei que eles jamais vão admitir isso.

Esse não é o ponto.

Você se lembra quando eu contei a respeito da academia de futebol no Brasil, quando eu disse a mim mesmo que eu jamais voltaria para a fazenda até fazer meu pai ficar orgulhoso?

Bom, meu pai não lá uma pessoa muito emotiva. Eu nunca soube quando verdadeiramente alcancei aquele momento de fazê-lo ficar de fato orgulhoso. Durante a maior parte da minha carreira, ele estava em casa, no Brasil.

Mas em 2015 ele foi a Berlim para me ver ganhar a final da Champions League pela primeira vez pessoalmente. Eu me lembro que, após as comemorações pela conquista nos gramados, o Barça deu uma festa especial para as famílias dos jogadores.

Nós tivemos que entregar o troféu para as pessoas que nos ajudaram a realizar nossos sonhos. Então eu me lembro que, quando foi a minha vez, passei o troféu para o meu pai, e nós dois o estávamos segurando, posando para a foto.

Então, ele disse uma coisa, que, por ser um palavrão, eu não vou reproduzir aqui exatamente com precisão.

Mas, basicamente, ele disse algo do tipo “Meu filho é o cara agora”

E você quer saber? Ele estava chorando como um bebê.

Aquele foi o grande momento da minha vida.

No sábado, eu terei a oportunidade de jogar por outro troféu da Champions League contra um oponente bastante conhecido. Como sempre, eu estudarei o Cristiano Ronaldo como uma obsessão.

Como sempre, eu irei para a frente do espelho antes da partida e rodar o mesmo filme na minha cabeça.

A tela escurece, e eu me lembro destas coisas…

Minha cama de concreto.

O cheiro da terra molhada.

Meu pai carregando o tanque de veneno nas costas.

O caminho de 20 quilômetros até a escola.

O novo conjunto de roupa.

O varal de roupas vazio.

“Claro que eu sei onde é Sevilha”

Mano, eu vim da Pqp.

E estou aqui agora.

É irreal, mas eu estou aqui.

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Gestão de Patrocínio no Futebol brasileiro está Obsoleta

Publicado em 11/05/2017 às 07h49

Uma das ferramentas mais criativas e eficientes no mundo empresarial é o investimento em patrocínios, especialmente os esportivos.

Segundo a consultoria norte-americana IEG os patrocínios movimentam mais de US$ 60 bilhões por ano e crescem muito acima de outras ferramentas tradicionais, especialmente a propaganda tradicional.

Por ser muito menos intromissor que a compra de mídia e principalmente participar dos eventos e não aparecer como inserção publicitária, ajudou inúmeras empresas na construção de suas marcas, fidelização de clientes e aumento de vendas.

Cada vez mais clubes, ligas e competições se aproveitam de tudo isso e faturam cada vez mais com o interesse dos patrocinadores. Essas marcas investem pesado em propriedades esportivas, que vão muito além dos espaços nos uniformes.

Segundo estudo recente da empresa Deloitte da Inglaterra, as receitas de marketing ultrapassaram os direitos de TV como principal fonte de receita dos maiores clubes europeus.

Enquanto os 20 maiores times da Europa movimentaram € 2,9 bilhões com TV, o marketing foi responsável por € 3,2 bilhões. E em um passado recente a TV chegou a representar muito mais.

patro. clubes europeus

Já no Brasil a história é completamente diferente. A cada ano os clubes lotam seus uniformes com mais marcas patrocinadoras e cada vez os patrocínios são menos representativos no faturamento dos clubes.

Segundo meu estudo sobre as finanças dos clubes brasileiros em 2016, os 20 maiores times do Brasil geraram R$ 4,9 bilhões em receitas. Deste total 51% foi proveniente dos direitos de TV e apenas 11% dos patrocínios.

Esta é a pior representatividade desde 2003. Isso significa que paramos no tempo.

Os patrocínios apresentaram evolução muito tímida de 2015 para 2016, e geraram para os clubes brasileiros R$ 534 milhões no ano passado.

Patrocinios Brasil

E isso porque nosso mercado conta com o aporte de mais de R$ 120 milhões de patrocínios de uma única marca, a Caixa Econômica Federal. Não fosse o banco estatal a situação seria muito mais grave.

Literalmente estamos vivendo a era da pedra lascada do marketing esportivo no futebol brasileiro.

Qual o caminho para mudarmos?

A resposta em minha opinião está diretamente relacionada à visão limitada que o mercado de marketing esportivo no Brasil faz do investimento em patrocínio.  Nosso mercado infelizmente sempre enxergou o patrocínio de clubes, eventos e atletas como uma mídia barata e com grande visibilidade. Esse foi o maior equívoco.

Patrocínio não pode ser visto como mídia, já que é uma estratégia extremamente complexa, quando utilizada de forma eficiente.

Isso significa que os clubes vão ter que repensar a forma como se relacionam com seus patrocinadores, oferecendo muito mais que espaços nas camisas, placas e backdrops.

Já os patrocinadores, vão ter que rever a forma como enxergam os clubes, incluindo nas verbas de patrocínios outros recursos para ativação.

Para essa situação mudar, os patrocinadores têm papel fundamental, para cobrar contrapartidas dos clubes, para que gerem um efetivo retorno para seus negócios.

Os clubes brasileiros devem buscar referências nos grandes clubes europeus e times dos EUA. Não faltam exemplos de times que atraem inúmeras marcas patrocinadoras, sem que estas estejam obrigatoriamente estampadas nos uniformes.

O foco está no alinhamento estratégico de abordagens mercadológicos consistentes.

Para isso, o departamento de marketing dos clubes deve evoluir, para mostrar para as empresas, que elas podem ir muito além do estágio atual.

Essa mudança transformará nossos clubes em plataformas completas de negócios e entretenimento, onde o retorno de mídia é uma parcela de todo o potencial mercadológico do futebol.

E não seu único objetivo.

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Educação Fisica pode estar afastando seu filho do esporte

Publicado em 07/04/2017 às 21h30

Enquanto a reforma do ensino médio é aprovada no Senado e sancionada pelo Presidente da República, um ponto precisa de reformulação urgente: a educação física. A disciplina, que esteve ameaçada de ser tirada do currículo obrigatório, deveria na verdade ter mais espaço na grade, aproveitando o aumento da carga horária escolar determinado pela reforma.

Os estudos dizem que para uma criança aprender uma habilidade em nível interessante, são necessárias dez mil repetições de cada um dos movimentos nas mais diversas situações, o que coloca totalmente por água abaixo a teoria de que o esporte se aprende na aula de educação física escolar. O máximo que se consegue é gerar uma experiência com algumas habilidades. No entanto, o modelo proposto e experimentado pelas crianças é competitivo e excludente, de forma que se prioriza a minoria dos alunos habilidosos em detrimento dos demais. São jogos competitivos e não cooperativos, que acabam gerando uma experiência negativa, afastando definitivamente a atividade física da vida desse jovem.

Alguns ainda têm aquele velho discurso de que a competição é importante para a vida, mas vários casos de excelentes competidores no esporte que fracassaram na “competição da vida real” estão na cara de todos para demonstrar que isso é uma falácia.

Além de causar desinteresse pela prática da atividade física, empurrando crianças e jovens ao sedentarismo, o modelo atual da disciplina também é um dos responsáveis pelo crescimento do bullying escolar, o que ajuda a traumatizar o jovem e afastá-lo. Os menos habilidosos não ganham medalhas, não são chamados para o time da escola, são criticados e ofendidos pelos amiguinhos, são os últimos a serem escolhidos e os que menos participam do jogo, e logo, estão na contramão do que a ciência preconiza sobre aprendizagem motora e também sobre educação.

Modelo competitivo favorece a exclusão, o desinteresse e o bullying escolar (Foto: istock)

Modelo competitivo favorece a exclusão, o desinteresse e o bullying escolar (Foto: istock)

 

A educação física acontece na cabeça. Na mudança de entendimento sobre como o corpo funciona, e porque ele precisa de movimentos. A quadra é apenas um laboratório, para ir lá testar o conteúdo teórico, vivenciar, entender, sentir e aí sim escolher qual atividade cada um gosta mais para num período fora da aula, poder ir atrás de sua preferência. Aula de educação física não é momento de lazer nem de extravasar como alguns sugerem. E se precisa existir esse momento, que seja, num outro horário, fora das aulas de educação física, que já são poucas perto de outras disciplinas.

Um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado no ano passado revelou que o número de casos de bullying escolar está crescendo no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar mostrou que, em 2015, 46,6% dos 13 milhões de jovens entrevistados entre 13 e 17 anos de escolas públicas e particulares de todas as regiões do país disseram já ter sofrido algum tipo de bullying. Em 2012, a porcentagem era de 35,3%. A aparência física está entre os principais motivos.

É preciso pensar a educação física de modo educacional, como acontece com as demais disciplinas. Ela deve fazer o estudante entender a importância e as diferentes formas de se movimentar, compreender como o corpo e o organismo funcionam e como pode ficar mais debilitado e suscetível a doenças sem a prática regular de uma atividade física. Já que a proposta da reforma não citou a necessidade dessa alteração, a mudança de cultura faz parte de um grande desafio para os profissionais do país. Para cumpri-lo, basta planejar e usar o enorme universo de conceitos e ideias da área para explicar, dar base e conhecimento para o aluno praticar, entendendo o corpo e o exercício, de modo que se sinta permanentemente estimulado a levar uma vida ativa.

CRISTIANO PARENTE

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6 meses após Olimpíada, medalhistas são demitidos

Publicado em 05/03/2017 às 15h35

São Paulo – Seis meses após os Jogos Olímpicos, os medalhistas sofrem com queda nos investimentos federais, dificuldades para atrair novos patrocinadores e até demissão pura e simples, como o técnico da seleção de futebol, Rogério Micale, que perdeu o emprego apesar do ouro inédito. A lista engloba várias modalidades.

Até Arthur Zanetti, estrela da ginástica artística, está em baixa. Suas dez fontes de renda até a Olimpíada foram reduzidas para apenas três: Bolsa Pódio, Força Aérea Brasileira e Adidas. Preocupado com a brusca redução no orçamento, o medalhista olímpico nas argolas (prata no Rio-2016 e ouro em Londres-2012) trabalha em um cenário de incertezas no ano da disputa do Campeonato Mundial, em outubro, em Montreal (Canadá).

 

O temor também atinge Poliana Okimoto – a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica nos esportes aquáticos com o bronze na maratona aquática. No ano passado, tinha sua equipe multidisciplinar, financiada pela verba do Plano Brasil Medalhas – programa do governo federal – à disposição. Atualmente, conta apenas com o auxílio do preparador físico e do fisioterapeuta, ambos pagos do próprio bolso.

Sem perder o bom humor, a atleta tem tentado dar um jeito de contornar a crise depois da perda do maior investidor, os Correios. “Ainda bem que meu marido (Ricardo Cintra) é meu técnico. Assim, ele trabalha de graça”, brinca. Poliana poderia desfrutar da estrutura oferecida pela Universidade Santa Cecília (Unisanta) para sua equipe olímpica, mas seria preciso se deslocar até Santos diariamente. Hoje, mantém a rotina de treinos no Clube Esperia, em São Paulo. “Uma medalha é feita de detalhes. Minha vida estava perfeita”, afirma. Só lhe resta agora torcer para que a dificuldade seja passageira.

A vida de Micale também parecia perfeita. Tanto que, após acertar com a CBF que seu trabalho iria até 2020, mudou-se de Belo Horizonte para o Rio. Mas aí veio o fracasso no Sul-Americano Sub-20 e o desemprego.

FALTA DE VERBA ESMAGA NANICAS

Se os atletas de renome estão sofrendo com a crise econômica e a fuga de patrocinadores após os Jogos do Rio, a situação é dramática para as modalidades menores, aquelas que convivem com a falta de visibilidade e popularidade no País.

O badminton planeja acabar com a seleção brasileira permanente depois que perdeu 30% dos recursos da Lei Agnelo/Piva, cerca de R$ 500 mil. As alternativas são reduzir pela metade a participação em torneios internacionais ou diminuir o número de atletas. A modalidade não possui outras fontes de patrocínios públicos ou privados, pois não fazia parte do Plano Brasil Medalhas, programa do governo. “A situação piorou muito após os Jogos”, diz José Roberto Santini, superintendente de Gestão Esportiva da Confederação Brasileira de Badminton.

Torneios como o Campeonato Brasileiro, que está sendo disputado no Esporte Clube Pinheiros, ainda não foram afetados por causa do apoio dos próprios clubes. A confederação estuda pedir um apoio emergencial para o Comitê Olímpico do Brasil (COB).

No tae kwon do, o medalhista de bronze Maicon Andrade demorou mais de dois meses para receber o prêmio de R$ 12,5 mil pela conquista. De acordo com um de seus técnicos, Reginaldo dos Santos, o próximo ciclo olímpico já está comprometido. “Ele perdeu cinco torneios importantes e não temos planos para o segundo semestre deste ano”, reclama.

A demora foi causada por um escândalo. A confederação está paralisada após o afastamento do presidente Carlos Fernandes no mês de agosto. Ele deixou o cargo após uma ação da Polícia Federal para desarticular uma quadrilha responsável por fraudes em licitações e desvios de recursos públicos do Ministério do Esporte a diversas confederações esportivas. O interventor Carlos Carvalho iniciou as suas atividades em fevereiro para regularizar a administração em 90 dias. Cálculos iniciais apontam fraudes de R$ 8 milhões.

No levantamento de peso, Fernando Reis afirma que a situação virou um “salve-se quem puder”. A modalidade tinha, entre seus maiores apoiadores, a Petrobrás, que reduziu drasticamente os patrocínios esportivos. “Caiu tudo, o apoio do Ministério do Esporte e da Petrobrás. Perdemos até o plano de saúde dos atletas”, explica o quinto colocado na Olimpíada do Rio.

Na mesma situação, Ane Marcelle, que alcançou o melhor resultado do Brasil na história do tiro com arco ao chegar às oitavas, dá aulas da modalidade para complementar o orçamento, cortado pela metade. “Nós estamos acostumados com a falta de recursos, mas todo mundo esperava que uma Olimpíada no Brasil poderia mudar a situação”, lamenta a arqueira.

Francisco Arado, técnico da mesa-tenista Bruna Takahashi, identifica uma debandada de atletas para a Europa para diminuir os gastos. Para um atleta, uma diária com transporte, alimentação e inscrição nos torneios gira em torno de 150 euros (R$ 496). Hugo Calderano, que chegou às oitavas de final, igualando feito de Hugo Hoyama, iniciou o movimento de partida anos atrás e vem sendo seguido por vários jovens. “É mais barato ficar três meses na Alemanha do que ir e voltar a cada torneio”, explica o treinador.

Na esfera do apoio privado, Felipe Wu acredita que o problema maior é a crise econômica do País. O medalhista de prata no tiro esportivo tinha em 2016 as rendas do Bolsa Pódio e Forças Armadas, além do patrocínio de um fabricante de chumbinhos. Neste ano, não conseguiu atrair novos apoiadores. Para piorar, ficou sem psicólogo e fisioterapeuta por corte de verbas da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE). “Até parece que estamos sendo punidos pelo bom resultado.”

Mas a maior perda de Wu foi a saída do técnico colombiano Bernardo Tobar após um ano de trabalho e de bons resultados. Dessa forma, voltou a treinar sozinho no Hebraica, em São Paulo. De olho no futuro, o medalhista olímpico retomou para a faculdade de Engenharia Aeroespacial. “Infelizmente, não estou me dedicando exclusivamente ao esporte, como em 2016, mas tenho treinado, mesmo com a rotina puxada da faculdade”, diz.

REPASSE DAS LOTÉRICAS CAI R$ 13 MILHÕES

Uma das razões da pindaíba do esporte brasileiro em 2017 foi a redução da arrecadação. A Lei Agnelo/Piva destina 1,7% do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias federais do País ao Comitê Olímpico do Brasil (COB). A arrecadação do ano passado foi 14% menor em relação a 2015. Com isso, a entidade vai repassar R$ 85 milhões diretamente para as confederações, R$ 13 milhões a menos que os R$ 98 milhões do ano olímpico. Todas as confederações foram obrigadas a se adaptar à nova realidade.

Em seu primeiro mês como ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB) cancelou um edital de R$ 150 milhões que garantiria projetos para apoio a atletas após os Jogos. O órgão afirma que os critérios eram desconhecidos. “Não houve redução de investimento e sim o cancelamento de um edital, cujos critérios eram desconhecidos pela nova gestão que acabara de entrar. O apoio não vai cessar, porém será embasado em critérios melhor estruturados”, diz nota do órgão à reportagem do Estado.

Por outro lado, o Ministério do Esporte garante que não mudará as regras do Bolsa Atleta, o maior programa de patrocínio individual do País. Das 19 medalhas conquistadas pelos brasileiros nos Jogos do Rio, apenas o ouro do futebol masculino não contou com atletas bolsistas.

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Me escolhiam por último no futebol. E isso me fez ser melhor!

Publicado em 13/02/2017 às 08h09

Uma matéria vem fazendo sucesso nos últimos dias, falando sobre o trauma que uma criança pode ter na infância ao ser escolhido por último num time de futebol, na hora da educação física, por exemplo.

Segundo o professor especialista em formação de docentes, David Barney, da universidade americana Brigham Young, nesse momento "desconfortável" em que professores ou alunos selecionam o jogadores - publicamente, anunciando um de cada vez - para formarem as equipes de uma disputa esportiva, pode haver um impacto emocional profundo para os alunos.

A sugestão dele, então, é que seja feita a escolha no privado. Ok. Interessante. Mas talvez esse não seja o ponto central da questão. Estamos falando de, mais uma vez, criar uma bolha de proteção excessiva em torno das crianças.

Neste texto, falo apenas de mim, uso meus exemplos e minha vida para formar minha opinião. E você pode ter a sua, claro. Porém, acredito que a minha seja parecida com a maioria, afinal, muitos dos que conheço concordam com esta visão.

Dito isto, qual o problema em deixar as crianças saberem no que são melhores ou piores? Eu, por exemplo, nunca fui bom no futebol. Geralmente era escolhido por último. Isso não me fazia triste. Eu busquei, então, melhorar. Comecei a jogar no gol, já que eu era melhor que a maioria nesta posição. Depois comecei a treinar mais. Aos poucos fui melhorando, a ponto de ser um dos "titulares" do time na época dos campeonatos entre salas no ensino médio. Um ano como goleiro e no ano seguinte como atacante (e artilheiro, diga-se de passagem).

No futebol eu até podia ser o último algumas vezes, porém, em outras ocasiões eu era o primeiro. Sempre fui um dos melhores alunos, aqueles que todos queriam ter na equipe, pois sempre tinha boas ideias. Era ótimo no xadrez. Muito bom em apresentar trabalhos, criar músicas, teatros e tudo que envolvia a criatividade. Também era bom no vôlei, basquete e handebol. Ou seja: Em algumas coisas eu era ruim. Outras, muito bom. C'est la vie!!

Essa nova geração de pais e as novas formas de criar um filho, querem sempre colocar as crianças numa redoma, protegida de tudo e todos. Mas eu realmente acredito que faz parte da formação de uma criança se frustrar, aprender, tentar ser melhor. Só assim ela vai estar preparada pra vida adulta, que é muito pior e mais competitiva.

O grande ponto que vai indicar se uma criança vai ser negativamente afetada por situações como esta, de ser escolhida por último, talvez seja o suporte emocional que ela recebe em casa e a educação adquirida. Eu nunca sofri com isso, pois meus pais souberam me educar e mostrar: se você não é bom em alguma coisa, é bom em outras. E se tem algo que não é bom, estude, treine, se aprimore e você vai ser melhor.

Eu ainda não tenho filhos, mas quando tiver, sem dúvidas levarei o seguinte mantra: Cuidar não significa proteger de tudo e impedir que seu filho tenha experiências ruins. Cuidar significa mostrar o caminho e, mesmo se algo de ruim acontecer, estar do lado para apoiar e ensinar a melhorar.

Quando os pais falham na função de educar o filho e dar a ele bases sólidas e bons conselhos, só resta mesmo colocar dentro de uma bolha e proteger de tudo e todos

Guilherme Santos

Empreendedor, Publicitário e Escritor

https://www.linkedin.com/pulse/me-escolhiam-por-%C3%BAltimo-futebol-e-isso-fez-ser-melhor-santos

 

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10ª Maratona Internacional de Punta Del Este

Publicado em 12/02/2017 às 11h03

 

Participe como atleta deste grande evento!

 

 

 

 

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Como Adultos podem tirar a alegria do esporte

Publicado em 03/11/2016 às 20h50

Todos nós já vimos isso.

Recentemente eu estava assistindo a um jogo de futebol de garotos de 12 anos de idade, e aconteceu novamente. Um garoto aparentemente meio perdido em campo virou-se para um lado do campo, onde o técnico do time pedia para que ele apertasse em seu marcador, não deixando espaços para receber o passe.  Ao mesmo tempo, atrás do banco seu pai pedia para que ele recuasse mais, deixando um espaço maior, para não perder na corrida caso seu adversário pegasse a bola.

E então o que ele faz? Enquanto ele deveria estar focado em receber a instrução e se posicionar, agora ele tem  peso de uma escolha. Ignorar o pai com quem convive todos os dias, e escutar que errou desde o carro no caminho para casa até o dia do próximo jogo? Ou escutar o técnico que é o professor, a quem foi dito para ouvir e respeitar pelo próprio pai, a pessoa que tem o poder de escalar quem ele quiser se achar que está cumprindo corretamente o que se pede?

Será que é por isso que vemos crianças confusas no esporte? Com medo de cometer erros? Não é correto tirar da criança a vontade se divertir enquanto pratica esporte. A perda do encanto pelo esporte pode ser decorrência natural de ter que ser confrontado por desempenho toda semana e ser obrigado a desrespeitar uma de suas figuras de autoridade em suas vidas. Não é de se admirar que tantas crianças desistam de seus esportes favoritos quando começam a praticá-los com compromisso.

Todos amamos nossos filhos, e queremos o melhor para eles, mas os comentários dos pais fazendo papel de treinadores mais machucam do que ajudam. Prejudicando o desempenho ao invez de potencializar, fazendo o esporte um momento de constante decepção em vez de divertimento. Muitas crianças com grande potencial desistem do esportes quando o prazer se foi.

Um dos principais componentes do engajamento de longo prazo no esporte é o prazer de praticar. Quem corre maratonas sabe que corrida de longa distância nem sempre é agradável, mas pode trazer grande alegria.

Quando os pais e treinadores se esquecem de que suas equipes de esportes para jovens estão cheios de crianças que querem jogar bem e se divertir, as crianças começam a questionar se a experiência que já não é agradável vale a pena de ser feita. Os pontos negativos começam a superar os positivos, e quando isso acontece eles desistem.

Aqui estão 5 maneiras de como adultos acabam com o prazer dos esportes:

  1. Pais treinadores: Gritar instruções na beira do campo vai mais confundir do que ajudar. Não seja iludido caso alguma instrução de certo, a maioria delas só vai gerar desgaste e frustração.
  2. Pais corneteiros: Cornetar o técnico, o juíz ou até mesmo a própria criança simplesmente não funciona. Além disso vai contribuir ainda mais com o ambiente hostíl que a pratica esportiva está se tornando para a criança.
  3. Desrespeitar oficiais: A cultura do futebol não é famosa pelo respeito aos árbitros vindo das arquibancadas. Não é diferente nas categorias de base. Por ser um ambiente de desenvolvimento não é apropriado querer ganhar a todo custo, aprenda a se frustar e respeite as decisões da arbitragem, ou conteste mas sem nunca perder o respeito.
  4. Comparações com outros atletas: Quando os pais tentam comparar as crianças e rotular quem é melhor ou pior, seja para motivar o desenvolvimento ou para elevar a moral do filho, a tendência é gerar frustrações no longo prazo. Por exemplo, a criança se compara a outra considerada pior que ela, mas no ano seguinte a criança que era pior cresce e se desenvolve mais rápido, aquele rótulo que era para elevar o moral acaba gerando uma frustração muito maior.
  5. Palestra de fim de jogo no caminho para casa: O caminho para casa é especial. As crianças gostam de ser valorizadas se os pais realmente sabem o que estão falando. Elogiar por elogiar pode gerar uma bolha de ilusão, ou ainda banalizar os elogios. Fique atendo as jogadas onde a criança mostra superação, a chave de tudo está em valorizar a evolução e não apenas o desempenho nivelado pelas outras crianças.
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